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From de heart...#4



Raramente vejo tv sem recorrer às gravações. Ou porque não estou em casa, ou porque não sei qual a programação do dia, pelo que sou fã n. 1 das gravações automáticas. Vou ao canal e consigo ver até 7 dias a programação.
Este episódio do Alta definição foi uma espécie de "olha-te ao espelho". Mostrou-me que às vezes os nossos problemas são idênticos aos de outros e as nossas dúvidas e mágoas são o resultado que coisas que aceitamos e que não conseguimos controlar.
Falo nas semelhanças da definição de amor e foi inevitável lembrar-me da minha última relação e no quanto foi duro aceitar o que não podia controlar, o que não era para mim, o que não podia aceitar. Mais ainda perceber que muitas coisas são evitáveis se aceitas o que está mesmo à frente dos teus olhos e não como querias ou como gostavas que as coisas tivessem sido.
Falo na falta de relacionamento que ela tem com o pai e que eu deixei de ter, há muito tempo. E revi-me em cada palavra e senti que nesta parte da minha vida "não estou sozinha". O meu pai faleceu a 2 de junho deste ano, mas em mim há muito que não fazia parte da minha vida. Optou por outros caminhos, magoou-nos a todos e foi preciso afastar-me para perceber que não dependia de mim a opção de vida dele.
Cheguei a escrever um rascunho para um post no dia que falecesse, mas nesse dia não precisei de palavras.
"Hoje ele descansa em paz e com ele uma família inteira. Já não oiço a minha mãe chorar porque ele bebe, porque fuma, porque não foi o homem que ela idealizou, mas que também não conseguiu viver sem. Hoje sei que não me vai contar que bebeu, que a ignorou, que a magoou, não fisicamente, mas psicologicamente, que é talvez a maior das marcas.
Hoje estamos a aprender a viver uma vida diferente, mais calma, com natural tristeza da parte dela, que agora tem de aprender a viver sozinha, agora no verdadeiro sentido físico, porque psicologicamente já o vivia há muito tempo.
Hoje vou deitar a cabeça na almofada e respirar, a minha paz de espirito é efetiva".
Quando sabemos o que é melhor para nós, tudo se alinha. Não há famílias perfeitas, vidas perfeitas. Aprendi a aceitar a minha, com os defeitos e virtudes que todas têm. O dia em que construir a minha própria família poderei mudar o rumo da história, porque o destino somos nós que o fazemos.



Comentários

Já tinha passado por aqui vagamente.
À muito que não escrevo no meu livro, quando passou a ter uma capa negra não tive coragem de escrever mais nada...
Não há famílias perfeitas não, nada é perfeito.
No entanto a aceitação, apesar de dolorosa, é a mais serena paz que todos precisamos, mesmo quando ponderamos se vale a pena tanta dor. Vale sim não há nada que pague a paz.
Beijo

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